sexta-feira, setembro 21, 2012

Uma xícara de lágrimas

Posso contar quantas desceram.
É necessário as vezes esvaziar o estoque, sem sorte.
Para que o brilho ressurgisse, para que a força voltasse maior.
Emaranhados os cabelos e o rosto no espelho.
De límpido e puro sorriso, de muito, pouco restou.
O suficiente, não morrer por completo.
Uma xícara de lágrimas no chá da noite, adoçada, por favor.
Por mais que tudo pareça desigual, injusto e que as vezes eu tenha uma raiva gigantesca do mundo.
A doçura me vira do avesso, me mostra que sou mais bonita por dentro.
E não adianta, vou ser sempre aquela que busca a luz.
Meus dias foscos, de sorriso meio tortos, não duram mais de três.
Três almas estarradas, três dias de pura solidão, mesmo que junto.
De tudo um pouco e tão pouco absorver o muito.
Fechar os olhos, deslizar as mãos, posso sentir o que inunda cada pensamento.
Pequenas ondas de sensações insanas.
Pequenas doses de vital energia.
Corro, não, espere. Meu pensamento percorre, corre, recorre.
Fugir não vai adiantar, adiar. Força, energia e luz.
Três, novamente três.
E para meu café da manhã, uma xícara de estímulos.
Para que eu não desvie da ideia de que tudo vai ficar bem.
Fique para almoço, farei uma refeição a base de lucidez, com amor.
Fique, do mais puro orvalho á mais profunda ferida.
Que abre e sangra.
Todos os dias, por várias horas.
Não abandonarei, não moverei montanhas.
Mas escalo, quantas eu puder. 

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